Um dos festivais de balonismo mais tradicionais das Américas entra nesta quinta-feira, 13 de agosto, em sua reta final no Canadá. O International de montgolfières de Saint-Jean-sur-Richelieu retoma sua programação principal e segue até domingo, 16, reunindo dezenas de balões, voos, apresentações noturnas e atrações musicais na província de Quebec.

Esta é a 43ª edição do evento, realizado em uma cidade que construiu uma relação tão forte com a modalidade que o próprio festival apresenta Saint-Jean-sur-Richelieu como a “capital da montgolfière”. A organização também o define como o maior encontro de balões do Canadá.

Festival começou com apenas 20 balões em 1984

A história começou em 1984, quando entidades locais buscavam uma atração capaz de movimentar o turismo da região durante o verão. Os balonistas Bob Burch e Dave McLeod perceberam que a geografia e as condições locais eram favoráveis aos voos e sugeriram a criação de um festival.

A primeira edição durou quatro dias e reuniu 20 balões. O crescimento foi rápido. Em 1992, o evento passou a utilizar o nome Festival de montgolfières de Saint-Jean-sur-Richelieu e, em 2001, adotou a denominação internacional utilizada atualmente.

Um dos momentos que ajuda a dimensionar o tamanho que o encontro alcançou ocorreu em 2011. Naquele ano, 125 balões participaram do festival e as condições meteorológicas permitiram 12 decolagens durante a programação.

Voos pela manhã e no fim da tarde

O balonismo continua sendo o centro da programação.

Os voos da manhã estão previstos durante o período do festival a partir das 4h45, enquanto as atividades para as decolagens da tarde começam por volta das 17h. A realização dos voos depende das condições meteorológicas.

A programação de 2026 foi dividida em dois grandes blocos no espaço principal, de 7 a 9 e agora de 13 a 16 de agosto. Entre os dois finais de semana, o evento levou uma programação paralela ao centro de Saint-Jean-sur-Richelieu.

Nuits Magiques são uma das marcas de Saint-Jean

Outra tradição são as Nuits Magiques, apresentações realizadas depois do pôr do sol.

Os balões permanecem no solo e são iluminados pelo acionamento dos maçaricos, transformando os envelopes em grandes pontos de luz. Em 2026, as apresentações acontecem nas noites de sexta-feira e sábado e ainda incluem performances musicais realizadas a partir de um balão elevado sobre o local.

O festival também mistura o balonismo com uma grande programação de entretenimento. Entre os artistas anunciados para esta edição aparecem nomes como The Offspring, Sean Paul, Half Moon Run, Ariane Moffatt e Matt Lang.

Brasileiros fazem parte da história do festival

Mesmo sem representantes brasileiros identificados na lista oficial de 2026, a ligação do Brasil com Saint-Jean-sur-Richelieu vem de outras edições.

Um registro especialmente interessante é de 2008, justamente no ano em que o festival comemorava sua 25ª edição.

Fotografias publicadas por Francisco “Kiko” Naccarato, feitas durante o evento, registram três balões brasileiros juntos em Saint-Jean-sur-Richelieu: o Yellow Jacket, pilotado pelo próprio Kiko Naccarato; o Hector Pig Farm, com Luiz Paulo Gnecco de Assis; e a Lady Bug, com Marcos Antonio Bonimcontro.

Há também registros daquele mesmo festival mostrando balões brasileiros de formas especiais, entre eles a joaninha e o espantalho.

Em 2014, o Baby Dino, construído no Brasil e operado por Ricardo de Almeida, foi anunciado para participar do encontro em Saint-Jean-sur-Richelieu.

Outros special shapes brasileiros também passaram a ser associados ao evento ao longo dos anos, mostrando uma relação antiga entre a indústria e os pilotos brasileiros de balões especiais e o festival canadense.

Mais de quatro décadas de balonismo no Quebec

Poucos eventos conseguiram manter durante tanto tempo uma ligação tão direta entre uma cidade e o balonismo.

Saint-Jean-sur-Richelieu começou com 20 balões em 1984, atravessou diferentes fases e formatos e chegou a 2026 com sua 43ª edição, mantendo os voos como uma das principais atrações do verão no Quebec.

E para o balonismo brasileiro, o festival também guarda uma parte interessante da história. Pilotos e balões construídos no Brasil já cruzaram o continente para participar do encontro, deixando uma presença que aparece em registros de diferentes épocas de Saint-Jean-sur-Richelieu.

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